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Feito em casa

Dar a luz não é sinônimo de hospital

Aline Salve

Uma das belas expressões da língua portuguesa – dar a luz – significa exatamente isso: apresentar uma criança, pela primeira vez, ao brilho do sol. “É um momento fundamental para o ser humano”, reconhece a educadora paulista Maria Isabel Rolim, mãe de cinco filhos, todos nascidos em casa, com parto de cócoras, longe da iluminação fria dos hospitais. “Com a luz mais suave, os bebês conseguem abrir os olhos. Não sofrem aquele susto provocado pelas luzes dos refletores da sala de parto.” A primeira respiração também surge naturalmente, com o cessar da pulsação do cordão umbilical. “Ele só é cortado quando cessa o fluxo de sangue. O primeiro ar que entra nos pulmões dói, por isso a respiração deve ser conduzida da forma mais natural possível.” Ela aprendeu todos esses cuidados com o médico obstetra paulista Jorge Hodick que já fez centenas de partos em casa, embora ache que hoje não seja tão necessário. “Muitos hospitais já observam esses cuidados iniciais, estimulando o parto natural no quarto da paciente, com luz suave e banho morno, sem machucar a criança”, diz o médico. “Hoje, só indico parto em casa para a mulher habituada a uma alimentação natural, que pratica exercícios e tem condições psicológicas para isso.” Mesmo assim, admite ele, dar a luz em casa é uma realidade bem brasileira. “Até as parteiras do Nordeste recebem formação gratuita do Ministério da Saúde”, revela o médico.

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