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Não parece lugar para uma roda de samba (a Casa de Cultura de Santo Amaro funciona num casarão de fazenda). E dá pra ver uma faixa esticada lá dentro: “O silêncio é uma oração”. Pago os 2 reais do ingresso e o rapaz na porta, contrito, me dá um libreto. Muito estranho… Mas devagar tudo vai dando certo. A sala é grande, bem no centro há uma mesinha, em cima a toalha branca, então uma vela dessas mais comuns. Parece um altarzinho. As cadeiras estão ao redor, em círculo perfeito. Às 8 da noite um homem acende a vela, entra a rapaziada e o couro come. Ninguém fuma, ninguém bebe, e entre um e outro samba não tem conversa paralela, só palmas e uivos genuínos. Com o livrinho na mão, você pega a letra e sai cantando junto – os compositores das músicas ali, do seu lado! Lá pelas 11 horas, o catoco apaga e o Samba da Vela termina. Graças a Deus, toda segunda tem.
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